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Review of by Alex K — 04 Oct 2016

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Aquarius delineia, esboça, chega a tocar e mexer com vários temas sensíveis e questões complexas.

Os macro-temas são: Brasil nos anos 70. Clásssé média alta brasileira. Mulher. Vida familiar. Sexualidade. O conflito entre o antigo/envelhecido e a pressão pela substituição pelo brand new e expensive e shining. Música. Violência. Medo. Paixão na juventude. Paixões e vontades depois dos 60 anos de existência. Relacões de poder, interpessoais e eróticas. Resistência. Status. Injustiça. Escravidão. Racismo. Desconfiança. Desestabilização e desnaturalização. Relacões de hierarquia entre pessoas brasileiras. Morar. Discordar. Dinheiro. Prevalecer. Marcas do passado. Memória. Tempo.

Mas eu quero mesmo é falar da ternura. Não esperava, ao pisar naquela sala de cinema, a experiência observar pessoas tão juntas. tão acompanhadas umas das outras. E por vezes tão isoladas e conflituosas em suas demandas pessoais em desalinho. Tive que dizer pra mim mesmo que aquele era um excelente trabalho coletivo de elenco e interpretação. Mentira, eu curti a ilusão pra valer. Porque a sensação que eu tinha, na sala escura do cinema, era a de estar observando magicamente a intimidade de uma família que de fato existe.

E ainda teve a experiência de redescoberta de tesouros musicais brasileiros. ''Hoje'', ''Jeito Estúpido de Ser'' (da Bethânia) ''Recife, Minha Cidade'' (do Reginaldo Rossi) ''O Quintal do Vizinho'' (do Roberto) pediram outras audições, em casa via playlist no Spotify, porém, não encontrei versões que se comparem a da (re)mixagem exclusiva para o filme.

A direção de fotografia (Pedro Sotero e Fabrício Tadeu) é modesta e sutil, com pontuações muito certeiras, deixando os atores e os sets tomarem conta da tela, com brilho próprio. É evidente a riqueza do trabalho de design de produção, criação conjunta de Juliano Dornelles e Thales Junqueira. O filme certamente não funcionaria tão bem se tudo não estivesse exatamente onde está posto. Lembrar a autencidade dos figurinos, assinados por Rita Azevedo, me parece fundamental. O roteiro, assinado pelo diretor de Aquarius, Kleber Mendonça Filho, é aquela coisa: nenhuma palavra, nenhum gesto é gratuito. Cada imagem em movimento guarda um sentido especial, fruto de uma observação madura.

Fiquei especialmente feliz ao notar representatividade no filme. Há pessoas LGBT com subjetividade e memória em cena.

Outra coisa. Deve ser um desafio e tanto interpretar a filha da personagem de uma atriz como Sônia Braga. Só uma rara dedicação, como a da atriz Maeve Jinkings (protagonista de 'Boi Neon', 'O Som ao Redor', 'Amor, Plástico e Barulho'), poderia dar conta. Ela arrasa. Tem momentos cativantes, mesmo com uma personagem não imediatamente cativante.

Sônia Braga, no papel de Clara, precisa ser contemplada em toda a sua grandeza e nuances. Tudo está em volta dela. Ela está presente e atenta e viva. O mundo, tanto o ficcional, quanto o ''real'', precisa se render à Clara. Mas não um rendimento violento. Nada a ver com rendimentos financeiros. Um render-se submisso, sensual, respeitoso.

This review of Aquarius (2016) was written by on 04 Oct 2016.

Aquarius has generally received very positive reviews.

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