Review of An American in Paris (1951) by Dean T — 03 Oct 2011
Vincente Minnelli pode ser considerado um dos principais responsáveis por elevar o gênero de filme musical ao status de arte. Ainda que não seja a melhor de suas obras (estas são Agora Seremos Felizes e Gigi), Sinfonia de Paris impressionou o bastante na época a ponto de levar seis estatuetas na noite do Oscar, incluindo a de Melhor Filme.
Escrito por Alan Jay Lerner (mais tarde responsável por Gigi e My Fair Lady), o roteiro de Sinfonia de Paris não escapa do arquétipo padrão de musicais da Metro: como perfeitamente descrito por Frank Sinatra em Isto Era Hollywood, "garoto conhece garota, garoto perde garota, garoto canta e consegue a garota." Neste caso, o garoto é Jerry Mulligan (Gene Kelly), ex-soldado que agora se dedica à pintura na cidade das luzes. A garota é uma estreante Leslie Caron que, apesar de ter alcançado grande sucesso em outros filmes, aqui claramente demonstra não ter total consciência do que fazer quando não está dançando. O lado subversivo do romance é que, ao mesmo tempo em que vivem um affair, ambos vão para a cama de pessoas diferentes (ou assim subentende-se): ela para a de um cantor amigo de Jerry (Georges Guétary) e ele para a de uma mulher mais velha que patrocina sua arte (Nina Foch). Esta ruptura de caráter que faz do personagem de Kelly um semi-gigolô o torna mais interessante do que o tradicional "sujeito boa praça" interpretado pelo ator durante toda sua filmografia (e a decisão de vestir o bailarino em collants revela mais sobre o Minnelli do que pode ficar explícito na tela).
A história é, no entanto, apenas um pretexto para a apresentação de clássicas canções do vasto repertório de George Gershwin (incluindo "I Got Rhythm" e "S' Wonderful"). Os números musicais possuem uma série de predicados próprios, embaladas pela sempre criativa coreografia de Kelly e pelo fantástico tato na direção de arte de Minnelli. De fato, torna-se tão fácil se deixar seduzir pelo seu "cinema dos sonhos" (como definiram os críticos da Cahiers du Cinema) e acabar suprimindo as falhas narrativas do filme. Mas o que fez Sinfonia de Paris realmente conquistar seu lugar na história do cinema foram os frenéticos dezoito minutos finais: uma sequência única de balé onde o casal revive sua história de amor utilizando pinturas de consagrados artistas impressionistas franceses como cenário. É neste momento em que o perfeito casamento da arte de Kelly e de Minnelli criam algumas das mais belas imagens já capturadas em película. Se a cena final é apressada e obviamente calculada é porque o diretor sabia que nada conseguiria superar aqueles momentos. Melhor mesmo é se retirar enquanto se está no topo.
This review of An American in Paris (1951) was written by Dean T on 03 Oct 2011.
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