Review of American Psycho (2000) by Alex G — 02 Apr 2018
"Podemos sempre ser mais magros, ter um aspeto melhor" - Patrick Bateman.
American Psycho retrata a vida de um executivo rico em Nova Iorque que trabalha em Wall Street, de nome Patrick Bateman (Christian Bale). Bateman é um homem formoso, bem educado e inteligente. Tem vinte sete anos e vive o sonho americano à sua maneira. Acredita numa dieta equilibrada e exercício físico regular, assim como a utilização de cremes faciais masculinos para exorbitar a sua beleza. Até aqui tudo normal. Nada normal é tudo o que vem de seguida.
Esta crítica deve ser orientada a partir da personalidade narcisista e sedenta deste senhor, pois é exatamente esse o propósito da obra, criticar um tipo de personalidade que foi recorrente na década onde se passa o filme (1987), e que ainda é recorrente nos dias de hoje. Passo a explicar.
Adaptado do best seller de 1991 de Bret Easton Ellis, o filme retrata o consumismo, o materialismo, a vaidade e a ganância, através das atitudes do nosso protagonista. Há inclusive uma cena onde um grupo de empresários comparam os seus cartões de negócios, discutindo as palavras, os acabamentos, a textura, a espessura, entre outros. A sua masculinidade é discutida através de cartões. Competem através de rivalidades como roupas, salários, e quem consegue obter as reservas nos melhores restaurantes da zona.
Por fora têm tudo para parecerem importantes, mas é tudo um engano. São espaço vazio. O filme até brinca com uma situação em que Bateman é tão parecido com um dos seus colegas (Jared Leto), que por vezes são confundidos um com o outro. O que obviamente não pode ser, segundo os interesses do nosso psicopata).
Estamos perante uma personagem desprovida de empatia. Tudo o que procura é a satisfação do seu ego. Durante o dia, cuida de si por inteiro, procura aceitação geral, anseia ser o melhor, conseguir o melhor. Todo muito metódico e organizado. Durante a noite, sem outro objetivo na vida, urge uma vontade de assassinar, desagradavelmente, pois a sua sede de ganância e poder desmedido não lhe deixam alternativa. Existe uma imensa necessidade de se sentir superior, uma necessidade interminável e devastadora para o próprio.
A intenção de comédia negra é explícita. De certa forma, haverá muita gente que conseguirá relacionar-se com este indivíduo, por muito estranho que pareça. Afinal de contas, querer ser o melhor, querer muito algo ou conseguir um determinado objetivo são sensações desejamos. O filme exibe essa ideia em proporções assustadoramente dramáticas.
Realizado e escrito por Mary Harron, American Psycho é executado de forma imaginativa e detalhada, com uma performance tremenda de Christian Bale. Harron não só realizou como também escreveu o argumento, com Guinevere Turnere, onde estruturaram as cenas e idealizaram frases simples mas memoráveis. O final ambíguo é a cereja no topo do bolo que dá que pensar. Mas não se enganem. Se Bateman tivesse menos posses e mais empenho no trabalho, certamente muitas vidas teriam sido poupadas.
8,6/10.
This review of American Psycho (2000) was written by Alex G on 02 Apr 2018.
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